Saturday, August 25, 2007

Que Salvei o Mundo

Salvar o mundo.
Coisa para os fortes, ou para os fracos?
Ontem eu salvei mais uma vez o mundo.
Meu super-poder é a ignorância de laboratório
E um sorriso constrangido que diz “tudo está bem.”
Não quero mais salvar o mundo.
Queria ser salvo, desta vez queria ser salvo
E não mais chorar sorrindo.

Quem sabe o que é salvar a tudo, menos a si próprio?
Annie Lennox sabe:

I Saved The World Today
Monday finds you like a bomb
That's been left ticking there too long
You're bleeding
Some days there's nothing left to learn
From the point of no return
You're leaving


Hey hey I saved the world today
Everybody's happy now
The bad things gone awayAnd everybody's happy now
The good thing's here to stay
Please let it stay


There's a million mouths to feed
And I've got everything i need
I'm breathing
And there's a hurting thing inside
But I've got everything to hide
I'm grieving

Hey hey I saved the world today
Everybody's happy now
The bad things gone away
And everybody's happy now
The good thing's here to stay
Please let it stay



Eu: 3,0 (outra guerra silenciosa comigo mesmo – mas mundo salvo)
Mundo: 10 (acabou de ser salvo, portanto está novo).

Monday, August 13, 2007

Da Tristeza Involuntária (juro que não queria assim...)

Não nego a felicidade, mas não posso evitar a tristeza. Tudo é acúmulo e minhas costas pendem pra baixo. Queria não ser assim, pesado. Tenho um amor que merece a leveza das borboletas e dos sorrisos que as crianças exalam de graça. Queria dar isto a ele, ao passo que respiro. Por isso choro.
Temo cansar o mundo e o meu amor com todo este peso.
Por isso choro.

Disse Vinícius de Moraes - acho que ele chorou também.

Dialética


É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...


Eu – 5,0 (por que choro e estou triste)
Mundo –
8,0 (Parte curada de mim)

Friday, August 10, 2007

Pungente

Dia de correria, de espera e de solidão.
Cansaço por dentro e por fora, parece que horas morreram dentro de mim.
Hoje não suporto nem a gota que transborda o copo
que está vazio.


Grita Fábio Furtado:

Não há acordo com os mortos:
da túnica inconsútil restaram apenas os alinhavos,
da romã, um gosto amargo,
na cristaleira, um copo lascado,
acionando a dissolução de terrinas e taças, de bibelôs e baixelas.
Não há memória para a primeira dor.
Sem notas hoje.
Estou um saco.

Tuesday, July 03, 2007

Em Dois

Qual é o poder de dois?
Maior do que o de um? De uma multidão?
Poder de um sobre o outro, esse é poder de dois?
O medo de um é o medo do outro, poder de dois?
O cansaço de um é o cansaço do outro, é o poder de dois?
Sede de abraço, do poder que tem dois sobre o mundo e dos demais?

Dois podem vencer, essas ilusões cheias de cor?
Vãos os dois acreditar neles?

Eu queria o poder de dois, esse que Emily Saliers fala em Power of Two.


Agora o estacionamento está vazio,
Todo mundo foi pra algum lugar...
Eu pego você, e no baú eu empacoto
Roupa pra dois dias e um cooler.
Porque há um lugar onde a gente gosta de dirigir
Pelo país adentro
E cinco milhas fora da cidade,
Estamos cantando,
Sua mão por sobre meu joelho.

Então estamos ok
Estamos bem.meu amor eu estou aqui para por fim ao choro.
Espantar os fantasmas de sua cabeça.
Sou mais forte do que o monstro embaixo da sua cama,
Mais esperto do que as peças pregadas pelo seu coração.
Encaramos os problemas juntos e juntos resolvemos eles
Somando todo o amor que é verdadeiro
Multiplicando vida com o poder de dois.

Você sabe das coisas que eu tenho medo
E não tenho medo de dizer
Se ainda deixarmos um legado,
Terá sido como nos amamos um ao outro
Porque eu tenho visto sombras de tantas pessoas
Empenhadas nos tesouros da juventude
Mas isso é uma estrada fantasiosa e rápida
Que termina em acidente fatal
E eu estou feliz por estarmos fora disso,
Pra lhe dizer a verdade

porque estamos ok
Estamos bem.meu amor eu estou aqui para por fim ao choro.
Espantar os fantasmas de sua cabeça.
Sou mais forte do que o monstro embaixo da sua cama,
Mais esperto do que as peças pregadas pelo seu coração.
Encaramos os problemas juntos e juntos resolvemos eles
Somando todo o amor que é verdaeiro
Multiplicando vida com o poder de dois.

Todas as tentações brilhantes
(faça novos amigos)
Algo novo no lugar do velho
(mas conserve os antigos)
Tudo o que você consegue é apenas aranhar a superfície
(mas lembre-se do que é ouro)

e é ouro de tolo
(o que é ouro)
ouro de tolo
(o que ouro)
ouro de tolo
agora estávamos falando de uma coisas difíceis

e seus olhos estavam cheios de lágrimas
eu amparo a gente nos tempos bons e nos ruins
nem pense em esquecer
agora as barras de aço que me prendiam a uma promessa
subitamente cedem com facilidade
quanto mais preso estou ao seu amor
mais perto estou da liberdade


Mundo: 6,0 (cores diferentes que não conheço)
E
u:6,0 (só, sem o poder de Dois)

Wednesday, June 27, 2007

Um intruso que pretende ficar

Meu amor nunca acaba, é sempre um rio onde as águas correm, nem sempre calmas e límpidas é verdade, mas sempre se renovando e limpando o caminho que percorrem.

Quando outros rios me cruzam trazem certezas, incertezas e um novo sentimento. Meu rio encontrou o seu é indubitável isso, e esse amor também assim é?

Desculpa a invasão, como tantas outras, é uma forma de me sentir na tua vida, dentro de você, é minha forma, sempre aberto para você, os braços, os olhos, o coração, eu.

Tenho certeza de ter cruzado com água certa... Uma vez li por aí que quando o amor acaba, um anjo perde as asas e cai do céu. Triste, passa o resto de sua vida andando a esmo, vestindo trapos, carregando o arco quebrado e as flechas sem pontas.

Nosso anjo (espero muito) vai ser sempre forte e lindo, como você é!

Te amo

Olavo Bilac me diz:

"Ora (direis) ouvir estrelas!
CertoPerdeste o senso!"
E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora:
"Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."


Eu: 7 Zilhões (Cada vez mais apaixonado e feliz)
Mundo: 7 (Inseguro, com medo e muito amado)



Tuesday, May 29, 2007

Nesta Preparação

O medo do não-amor me acordou essa noite, e eu lembrando do que ouço, espantei pra lá um bilhão de fantasmas que me espetam o cotidiano.

Amo, e assim, sou inteiro.
Sempre perplexo do tanto que amo.
E sempre consciente pra onde vai esse amor.

Amo, e por enquanto sou Eterno,
Daqui nada se apaga.

Amo o meu amor de sete cores, todas verdes.

Canta Cristina Guedes,
pois me preparo a cada dia amar melhor.


PREPARAÇÃO

Agora que me percorres
perco um pé provisório
onde aponta esta bússola
para norte (di) verso
agora que me restauras
com ruínas de sombra e risco
busco o dia das cidades
em tempos imemoriais
do teu itinerário
o movimento constatado
o medo em terra firme
a dor de estar eu livre.

Eu: 8,0 (Com medo e pleno - Doce e amargo)
Mundo: 10,0 (Verde e lindo, um caleidoscópio que agarro com os olhos).

Thursday, May 10, 2007

Em Um Certo Medo.


O outono vem antes do inverno, e o inverno é o fim. Mas depois do fim, tem sempre o recomeço. O amargo e o doce. Passa agora uma tempestade dentro das janelas, não fora, como se pudesse, protegido, olhar pra ela: lá fora tem tanta coisa pra eu cuidar como deve ser feito, mas a ventania daqui de dentro de vez em quando me cega e me diz coisas que eu sei mas não quero escutar. Luto pra não deixar levarem meu jardim, nem minha cerca nem meu sol -por que lá fora faz sol, sim.

Certo em parte e talvez em outra hora, em todo, Mário Quintana, que um dia cantou assim:


CANÇÃO DE OUTONO

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...
Partir, ó alma, que dizes?
Colhe as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!



Eu: 2,0 (Tentando e não conseguindo...)

Mundo: 10,0 (Brilhando, lá fora...)

Friday, April 27, 2007

No Amor e no Éter

Por onde anda meu lugar entre o meio-dia e as duas da tarde?
Lá tudo é sono, beijo e abraço.

Já dizia Adélia Prado, enquanto observava os minerais voarem ao seu redor:


O AMOR NO ÉTER


Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam: como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.


Eu: 9,0 (Entre o meio-dia e as duas da tarde )
Mundo: 8,0 (falta chover pra eu dormir)


Wednesday, March 07, 2007

Mais Leve?

Da leveza, talhada pelo cotidiano, mais leve.
Leve, até na apreensão e no medo, de leve.
Leveza na criação, no aperto do abraço, e leve.
(...)
Eu, o ser passante, amargo e, leve?
Hoje ensina Cecília - leve.


Leveza

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.


E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.


E o que lembra,
ouvindo-se deslizar seu canto,
mais leve.


E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.


E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.


Cecília Meireles


Eu: 6,0 (Queria estar mais leve... mas não consigo)
Mundo: 6.0 (Pesado até um instante atrás... mas um dia também será leve...)

Thursday, February 22, 2007

Já Passou?

Onde que nem vi? Por onde escorreram estas horas, que ainda sinto coloridos mãos e dedos e com cheiro de ontem, ainda estão eles? E se já passou, pra onde foi? Não sinto telegrama, nem fumaça, nem aviso de partida, nem que por um presságio: Sou cético com essas horas perdidas. Juntas, elas formam dias que viram meses, e depois traiçoeiros anos perdidos. Já se foram? Choro agora essas horas que passei com sal no vento e na pele, com o sol sempre me abraçando e me perguntando: pra onde vão todas essas horas? Deve ser um lugar muito grande, pois agora nem mesmo cabem em mim.

Esse Tempo tão caprichoso, como cantava Adélia Prado:

Tempo


A mim que desde a infância venho vindo
Como se o meu destinoFosse o exato destino de uma estrela
Apelam incríveis coisas:
Pintar as unhas, descobrir a nuca,
Piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempoVão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
Mulher ocidental que se fosse homem
Amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
De mil novecentos e setenta e seis,
O céu é bruma, está frio, estou feia,
Acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.


Eu: 9,0 (Feriado acabou - desoriento-me cheio de propósito, depois tudo no lugar de sempre)
Mundo: 10,0 (Tá frio hoje, como se chovesse dentro e fora: bom pra dormir centenas de anos)

Wednesday, February 07, 2007

Nos Amigos e Nestas Flores

Quebrando a ordem:

Amigos

Os amigos são como flores:
Não tenho pressa em colhê-los
Nem mesmo no frescor desta
Manhã de primavera.

Pois de pétala em pétala
Destes dias felizes
Sentir seu cheiro me basta.

E se morrem, durante o inverno,
Meu coração se abre
E minhas asas crescem:
Vôo para o sul, juntos com estes pássaros verdes,
Com os olhos cheios de esperança
E os bolsos cheios de sementes.

Saulo Matias

A estes amigos ou a estas flores presto toda a alegria de minha vida e toda aquela que ainda hei de ter, seja amanhã, sendo breve, ou daqui há muitos séculos, quando a sombra desta e outras lembranças pousarem eternas entre o universo e o infinito. A todos meus amigos que hoje tenho em ramos que já floriram, e outros que só sinto o cheiro – as pétalas já se foram - este espaço.

Eu: 9,0 (Sorte por ter amigos, sorte mesmo)

Mundo: 10,0 (cheio de antigos, novos e futuro amigos)

Sunday, February 04, 2007

Falta? Não Falta?

O que sinto falta morre há tempos - morre de bom senso, de maturidade e na discórdia entre o querer e o poder. O que sinto falta resiste moribundo de vergonha - não se encaixa nesse mundo desde que nasceu e morre de infinitas constatações.
Ausência de mim mesmo - é de mim que sinto falta: tento não saber que não volto mais.

Drummond caminha comigo pela Ausência:


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência,
Essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

Eu: 8,0 (Ausente - é só deixar recado)

Mundo: 8,0 (Translação e Rotação, é a gente ficando mais velho e mais ausente...)

Nas Esperanças Plantadas



Soube que o amor vem sem pressa, que cresce delicioso por cada fresta sem defesa de nossas almas. Se por um acaso encontra resistência ( e sempre encontra, o amor), descansa ali, e espera até que possa seguir. O amor é urgente, mas plácido. Tem a delicadeza da germinação, mas a força das raízes que buscam o infinito da terra fecunda. Tem pressa em ser amor, mas depois que se torna, segue calmamente seu curso em direção ao topo. Cresce pra cima, no sonho da copa frondosa, e pra baixo, na solidez dos alicerces de seiva e madeira. O amor é urgente só agora, depois se deita descompromissadamente naquela sombra - e nas sombras dos amantes.
Cecília canta e me convida a passear por estes campos com a cabeça cheia de sonhos e os bolsos cheios de sementes:

PLANTAREMOS ESTES ARBUSTOS

Plantaremos estes arbustos
que darão flor apenas
daqui a três anos.
Plantaremos estas árvores
que darão fruto um dia,
mas só depois de dez anos.
Não plantaremos jardins de amor,
porque imediatamente
abrem tristeza e saudade.
Não plantaremos lembranças
porque estão desde já e para sempre
carregadas de lágrimas.


Cecília Meireles

Eu: 8,5 (Um dia paro de me importar se estou naquele lugar onde estão todos os outros)

Mundo: 7,0 (Pronto, quando cheguei - mas tenho que me preocupar também com o meu, infinitamente inacabado)

Monday, January 29, 2007

Lista Que Janeiro Me Trouxe


Muito obrigado ao Mundo de agora por fazer de minha vida a Minha Vida.


  1. Uma nova e grande janela para novas perspectivas
  2. O Cheiro das Coisas Boas da Vida

  3. Novos e maravilhosos amigos

  4. A Fome e a Vontade de Comer

  5. Novas poesias – Estas ainda nascem toda hora

  6. Manhãs antigas com gosto de flor e de amor

  7. Vontade

  8. Regras que foram feitas exclusivamente para serem quebradas

  9. Horas que se passam como segundos ( o que torna cada uma delas preciosa)

  10. Uma nova estrada cheia de perigos, mas verdadeira.


Eu: 7,0 (Esperando o dia terminar pra ver se começa outro melhor...)

Mundo: 8,0 (Maravilhoso por ter me dado tantos presentes)

Em Todos os Medos



Medo de quê? De mim mesmo. Do que me transformo, e de repente, me transformo de novo. Do que sinto e de repente, o medo de não sentir mais. Não nos outros, nem dos cenários que perdem a cor para ganhar outras e das quais tenho que me acostumar. Medo das construções, das desconstruções, da reconstrução, eu tenho medo. Existe uma alma desesperada que ganha ritmo de fera quando me apavoro e que reconheço quando olho no espelho, e que eu tenho medo.



Tenho medo de ficar de pé, pois daqui vejo séculos inteiros de céu e de mar, e destes, mesmo que desconhecidos, não tenho medo.



Cecília me dizia ao pé do ouvido:





Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.






Eu: 6,0 (Coração apertado e alma imensa: dolorosa desproporção)

Mundo: 8,0 ( Guardado nele mesmo, sem pistas de como abri-lo)

Wednesday, January 24, 2007

Das Coisas Boas Desse Mundo

As coisas boas deste mundo têm cheiro?
Eu digo que sim. elas cheiram a saudade, descobrí a pouco, mas também cheiram a felicidade. O amor tem cheiro e descansa em minhas narinas.
Têm cheiro o colo, o vento e o pôr-do-sol.
Têm cheiro o abraço - todos os que foram já dados e os que ainda estão por vir.
Têm cheiro os sorrisos, os amigos, e aquela tarde que nunca se esquece, por mais que o tempo passe.
Descobrí que todas as coisas boas de minha vida tem cheiro, e as ruins - bem essas daí tem gosto - mas nem lembro mais qual é.
Também não lembro do cheiro de todas as coisas boas desse mundo e das quais eu experimentei sem compromisso. Mas todo dia descubro um novo cheiro bom que tinha esquecido.
Por isso eu mesmo canto o cheiro das coisas boas que encontrei - todas em um único lugar:

As Coisas Boas Deste Mundo

No cheiro que repousa em teu corpo
E que reconheço
Reside as coisas boas da vida
Como se tivessemelas, cheiro

-Desde Minha infância
Que os guardo em segredo:

São dos campos em flor,
Dos fins de tarde
E dos riso sem preço.

São o cheiro dos ventos que inundam
O Pôr-do-sol,
Que um dia desbravei sem medo.

São de colo, de filhotes,
Do balançar da rede,
E claro,
Do primeiro beijo.

São das coisas boas da vida,
que esquecidos em meu coração
reconheço em teus ombros -
E depois nunca mais esqueço.

Saulo Matias


Eu: 9,0 (Descobrindo as melhores coisas do mundo em um único aroma).

Mundo 9,0 (De flor, de saudade e amor - todos os cheiros)


Sunday, January 21, 2007

No Doce e no Incerto

Rio das incertezas, elas me intimidam o tanto que me divertem. Esperar é tão bom agora quanto estar, pois as duas coisas estão magicamente mescladas, ora nas minhas palavras, oras nos meus braços. Vou indo assim, de leve: continuo rindo das incertezas, e elas ocultas nos mais amplos aspectos do meu dia-a-dia, também riem de mim, como crianças travessas brincando de esconde-esconde. Das certezas? Em vez de rir, eu as beijo.

Mário Quintana cantou pra eu pensar e também pra eu dormir:


Fere de leve a frase... E esquece...
Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Mario Quintana


Eu: 9,0 (Incansável ao repetir coisas cem mil vezes ditas)
Mundo: 9,0 (Mundo Novo: Me sinto como Colombo – Nau pronta e cheio de desejos)

Thursday, January 18, 2007

Da Fome e da Vontade de Comer

Espero com fome e do outro lado, também tem vontade. Esperar é que são elas, e se espera dos dois lados, quem estende a mão, com palavras, beijos e pão?
Ah, se eu soubesse, e pudesse deixar uma e receber outra,

Palavra Acesa.

Se o que nos consome fosse apenas fome
Cantaria o pão
Como o que sugere a fome
Para quem come
Como o que sugere a fala
Para quem cala
Como que sugere a tinta
Para quem pinta
Como que sugere a cama
Para quem ama
Palavra quando acesa
Não queima em vão
Deixa uma beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada
Peço não me condene oh minha amada
Pois as palavras foram pra ti amada
Pra ti amada
Oh! Pra ti amada

(José Chagas e Fernando Filizola)


Eu: 7,5 (Com preguiça, com sono e com medo: Deveria ter levantado da cama hoje?)
Mundo: 8,0 (Adoro este cheiro de Coisa Boa que o Mundo tem)

Monday, January 15, 2007

Sobre o Breve e o Eterno



Um beijo dura eternamente, depois se vai. Vai na frente das pernas, limpando a poeira morta sobre os desejos descoloridos, mas que são imortais. Faz tocar música e eu penso de onde vem, se nem o barulho das buzinas nervosas ao meu redor, ouço com clareza. Talvez venha do aveludado sentido de ser redescoberto por mim mesmo e saber que a vida segue, mansa mas implacável com novas repetições. São de água morna meus pensamentos, e das lembranças dos dias mornos, da rotina boa e dos ventos novos que sopram à minha frente. Talvez seja de Mário Quintana a música que tocam e ouço deliciosamente me sentindo ora de alguém, ora unicamente de mim?

I
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana - A Rua dos Cataventos

Eu: 9,0 (Devagar e sempre, seja pra onde for).
Mundo: 9,0 ( Imenso, relutante e delicioso).

Mais do que nunca, enquanto isso, eu penso...

Thursday, January 11, 2007

Never Stop! (Segundo do Dia)

Não quero que pare, nem mesmo quando me parece errado. Mas nunca é. Nunca é errado tornar o dia mais leve, quando a gente traz nas costas o peso de um mundo cheio de questões a serem resolvidas. Não quero que pare, não mesmo. Mesmo em poucas linhas, e nos olhares absortos para uma fenda que não se revela nem luz nem falta dela, não quero que pare. Penso que não sei mas viver sem isso, mesmo sabendo que tudo tem fim e que se aprende indubitavelmente a viver sem: cresci dizendo a mim mesmo
“um dia tudo pára, inclusive eu vou parar”. Mas certamente não quero que pare. Se for parar, pare devagarinho, para que me acostume a ser sozinho nestas oito horas, como sempre fui. Para suavemente, como um texto de reticências, um poema em eterna revisão. Pare deliciosamente como quem vai em pedaços, se deixando experimentar pela última vez e aos poucos. De tiver de parar, pare agora ou amanhã ou depois, mas me permita um adeus de vários séculos. Contudo, e apesar de tudo - não pare nunca.

Indigo Girls complementa (eu amo essas mulheres!):

Never Stop

You say shes a very good friend
Circumstances I should understand
But like recurring tide she comes on to you
And looks as though shes looking for a man
Honey dont make yourself so available
My prides in my pocket but I can be reasonable
Still all in all I forsee my own fall
But Ive climbed too far to drop
So stop

I know its your ego keeps the smile on your face
Because you know you got your options open
Shes a beguiling snake and shell keep what she takes
But when she leaves you Ill be the one coping
Honey dont make yourself so available
My prides in my pocket but I can be reasonable
Still through and through I can see clean through you
I know you like to be the one on top
But stop

You will miss my conversation
When youre talking to yourself
Youll be thumbing for advice
Through the pages of the novels on your shelf
Honey dont you see our love togethers the very best bet
Put your focus on me and Ill forgive and forget
Throw away your hidden ace you clever man
And take my hand

You needn’t play the part of your image
This is not a one act play were living
And as long as Im here the situation is clear
It'll be 50/50 take and giving
Honey dont you see a lifetimes not much to ask
Take off your costume and remove your mask
If yes is what you will say were gonna start from today
Were gonna take it to the very top
And never stop

Eu: 9,0 (Never Stop!)
Mundo: 10 (Se parar, tudo bem...)

Do Silêncio, e da Vontade de Dizer


Se eu disser e se a idéia fugir, terei o carrasco do silêncio frustrado no meu calço. Prefiro não usar as palavras – elas se atropelam, trêmulas e febris, e se perdem no sentido antes de chegar ao seu destino. Prefiro não dizer. O silêncio é elegante, mas mata alma de fome. E fome e silêncio fazem a rotina de quem prefere esperar o que poderá um dia não vir - mesmo que pareça chegar todos os dias...
Por outro lado, canta Marly de Oliveira:

PRESSÁGIO


Sei que virás esta noite
nas palmas breves do vento.
Tão certa tua presença,
que adivinho teu perfil
crivado no firmamento.

Sei que virás, que um rumor
escuto de asas chegadas,
(Mas não sei se por ventura
ou desventura, só tenho
para teu rosto calado
uma profunda ternura).

E enquanto crispa o silêncio
seus longos dedos agudos
na noite de águas-marinhas,
teço meu sonho e desenho
abstratas, tênues figuras
com formas tuas e minhas.



Eu: 9,0 (No meio do caminho tinha uma calça que não dava mais pra mim, e inexplicavelmente, hoje deu ^^!).
Mundo: 8,0 (Pergunta: pra onde olha o mundo, enquanto eu olho pra ele?).

Monday, January 08, 2007

Da Inquietação do Outro e de Si Mesmo

Somos todos inquietos. Não nos contentamos com a espera solitária, inquietamos o outro. Tortura necessária essa inquietação, avidez por mudanças, tanto em nós quanto no mundo. Vibramos, inquietos.
Na hora de dormir e na hora de acordar, estou inquieto.
Naquela janela, contemplando outro pôr-do-sol e curtindo a indocilidade de outros ventos – estes novos e perfumados – me vem Vladimir Maiakovski, cantando um futuro incerto e inquietante:

FRAGMENTOS

1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tiro a sorte

enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas.
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs
e que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a imprudente idade

do bom senso.

Eu: 8,0 (Inquieto, mas inteiro)
Mundo: 7,5 (Um dia sim e outro dia não – Pendulum Swinger)

Sunday, January 07, 2007

Quase Um Ano Depois... O Mundo Mudou e Eu Continuo Morando no 246.

Estou voltando pra dizer que 2006 passou inteiro, coisas aconteceram, algumas dignas de serem postadas, outras não... Mas agora é 2007, e hoje tá tudo bacana. Não vou dizer que foi bom, mas também foi tão ruim. Saudades de lado, tem sempre uma janela aberta pra onde olho, e algumas com umas coisas distantes, mas que toco todos os dias. Assim caminha a humanidade, sempre com a cenoura amarrada na vara de pescar.

Lista de Desejos:

1. Chuva nos dias de folga e uma cama preguiçosa pra acompanhar
2. Risos o ano inteiro na companhia dos melhores: meus amigos
3. Muita coragem
4. Bons livros (inclusive um que me veio como um sonho)
5. Beijos bem justificados
6. Poesia em tudo
7. Cabeça nas nuvens, os dois pés no chão
8. Sempre um bom motivo pra dizer sim
9. RPGs e uns quilos a menos
10. Um sonho novo que cheira tão bem que eu queria pra mim.

Carlos Drummond de Andrade passou um dia desses e disse:


O Chão é Cama

O chão é cama para o amor urgente,
Amor que não espera ir para a cama.

Sobre o tapete ou duro piso, a gente
Compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Eu: 9,0 (Estou bem e pronto, sem maiores considerações)
Mundo: 8,0 (Perigoso e cheio de mistérios, mas não me importo)