Monday, January 08, 2007

Da Inquietação do Outro e de Si Mesmo

Somos todos inquietos. Não nos contentamos com a espera solitária, inquietamos o outro. Tortura necessária essa inquietação, avidez por mudanças, tanto em nós quanto no mundo. Vibramos, inquietos.
Na hora de dormir e na hora de acordar, estou inquieto.
Naquela janela, contemplando outro pôr-do-sol e curtindo a indocilidade de outros ventos – estes novos e perfumados – me vem Vladimir Maiakovski, cantando um futuro incerto e inquietante:

FRAGMENTOS

1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tiro a sorte

enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas.
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs
e que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a imprudente idade

do bom senso.

Eu: 8,0 (Inquieto, mas inteiro)
Mundo: 7,5 (Um dia sim e outro dia não – Pendulum Swinger)

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