Monday, January 28, 2008

Que Hoje É Meu Aniversário

De vez em quando sonho com este presente.
Olho pela janela, e está chovendo lá fora, ainda.
Quase que sinto o cheiro molhado das ervas do jardim
E escuto minha mãe cantarolando na cozinha.
Ao meu lado, meu amor dorme abraçado ao travesseiro
E todas as outras coisas não têm mais importância.

Aniversário com meus amigos, com a pessoa que amo:
Pra que mais?

Olhou para o jardim, neste sonho de chuva, Cecília Meireles:


O Canteiro está Molhado
O canteiro está molhado.
Trarei flores do canteiro,
Para cobrir o teu sono.
Dorme, dorme, a chuva desce,
Molha as flores do canteiro.
Noite molhada de chuva,
Sem vento, nem ventania,
Noite de mar e lembranças...

Eu: 9,0 (mais velho e mais feliz)
Mundo: 10,0 ( lindo e cheio de esperanças...)

Tuesday, January 08, 2008

Em Quando o Ano Foi Embora

Não tenho mais tantos sonhos quanto antes,
Obra da maturidade.
Deixei de sentir falta de coisas que se foram,
Deixei-as ir para o meu bem -
Agora só saudade.
Tudo isso entre onze horas e meia noite,
Sentado ao lado do que chamo de amor.

Começo o ano me sentindo só,
Sem culpar a ninguém por isso –
Até por que ninguém pode me ver realmente
Do jeito irremediável e tolo que sou.

Constatação, como disse Drummond quando escreveu:


A Carta

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias

(tão leves) que fazias no meu rosto:
São golpes, são espinhos, são lembranças
Da vida a teu menino, que ao sol-posto
Perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
À hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
A noite acumulada de meus dias,
E sinto que estou vivo, e que não sonho.



Eu: 7,5 (cheio de pausas)
Mundo: 7,5 (instável e obscuro...)

Monday, January 07, 2008

Do Dia Que Não Deixei a Tristeza Vingar

Parece até uma historinha:

Estava triste pra caralho...
O ano começou, muita coisa pra fazer, tanto caminho que não sei onde vai dar...
Super travado ainda, parece que é 1875, ou qualquer coisa do século passado!
E ainda outra noite estranha e cheia de seqüelas...
(putz...)
Daí pensei, sem muito refletir, e sem querer dar recado pra ninguém:
Posso até ficar triste, mas passa.
E fiquei tranqüilo (acho que isso e ser zen...)
Amo o meu amor até quando eu puder e o resto, que seja.

Sem preço é viver assim, como canta Mário Quintana, sem pensar no relógio.
Feliz é quem canta com ele.

Feliz Ano Novo, e não pensem nos relógios.

AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...





Eu: 9,0 (Me forçando a não forçar)
Mundo 10,0 (Lindo e não cabe, inteiro, em minhas mãos. Então seguro onde dá pra segurar)