Thursday, May 10, 2007

Em Um Certo Medo.


O outono vem antes do inverno, e o inverno é o fim. Mas depois do fim, tem sempre o recomeço. O amargo e o doce. Passa agora uma tempestade dentro das janelas, não fora, como se pudesse, protegido, olhar pra ela: lá fora tem tanta coisa pra eu cuidar como deve ser feito, mas a ventania daqui de dentro de vez em quando me cega e me diz coisas que eu sei mas não quero escutar. Luto pra não deixar levarem meu jardim, nem minha cerca nem meu sol -por que lá fora faz sol, sim.

Certo em parte e talvez em outra hora, em todo, Mário Quintana, que um dia cantou assim:


CANÇÃO DE OUTONO

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida...
Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
de carícia a contrapelo...
Partir, ó alma, que dizes?
Colhe as horas, em suma...
mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte alguma!



Eu: 2,0 (Tentando e não conseguindo...)

Mundo: 10,0 (Brilhando, lá fora...)

1 comment:

Darlan said...

seu blog na comunidade da Clarice Lispector... muito interessante!

http://ideias-marginais.blogs.sapo.pt