Medo de quê? De mim mesmo. Do que me transformo, e de repente, me transformo de novo. Do que sinto e de repente, o medo de não sentir mais. Não nos outros, nem dos cenários que perdem a cor para ganhar outras e das quais tenho que me acostumar. Medo das construções, das desconstruções, da reconstrução, eu tenho medo. Existe uma alma desesperada que ganha ritmo de fera quando me apavoro e que reconheço quando olho no espelho, e que eu tenho medo.
Tenho medo de ficar de pé, pois daqui vejo séculos inteiros de céu e de mar, e destes, mesmo que desconhecidos, não tenho medo.
Cecília me dizia ao pé do ouvido:
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.

Eu: 6,0 (Coração apertado e alma imensa: dolorosa desproporção)
Mundo: 8,0 ( Guardado nele mesmo, sem pistas de como abri-lo)
No comments:
Post a Comment