Thursday, January 11, 2007

Do Silêncio, e da Vontade de Dizer


Se eu disser e se a idéia fugir, terei o carrasco do silêncio frustrado no meu calço. Prefiro não usar as palavras – elas se atropelam, trêmulas e febris, e se perdem no sentido antes de chegar ao seu destino. Prefiro não dizer. O silêncio é elegante, mas mata alma de fome. E fome e silêncio fazem a rotina de quem prefere esperar o que poderá um dia não vir - mesmo que pareça chegar todos os dias...
Por outro lado, canta Marly de Oliveira:

PRESSÁGIO


Sei que virás esta noite
nas palmas breves do vento.
Tão certa tua presença,
que adivinho teu perfil
crivado no firmamento.

Sei que virás, que um rumor
escuto de asas chegadas,
(Mas não sei se por ventura
ou desventura, só tenho
para teu rosto calado
uma profunda ternura).

E enquanto crispa o silêncio
seus longos dedos agudos
na noite de águas-marinhas,
teço meu sonho e desenho
abstratas, tênues figuras
com formas tuas e minhas.



Eu: 9,0 (No meio do caminho tinha uma calça que não dava mais pra mim, e inexplicavelmente, hoje deu ^^!).
Mundo: 8,0 (Pergunta: pra onde olha o mundo, enquanto eu olho pra ele?).

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