Monday, January 29, 2007

Lista Que Janeiro Me Trouxe


Muito obrigado ao Mundo de agora por fazer de minha vida a Minha Vida.


  1. Uma nova e grande janela para novas perspectivas
  2. O Cheiro das Coisas Boas da Vida

  3. Novos e maravilhosos amigos

  4. A Fome e a Vontade de Comer

  5. Novas poesias – Estas ainda nascem toda hora

  6. Manhãs antigas com gosto de flor e de amor

  7. Vontade

  8. Regras que foram feitas exclusivamente para serem quebradas

  9. Horas que se passam como segundos ( o que torna cada uma delas preciosa)

  10. Uma nova estrada cheia de perigos, mas verdadeira.


Eu: 7,0 (Esperando o dia terminar pra ver se começa outro melhor...)

Mundo: 8,0 (Maravilhoso por ter me dado tantos presentes)

Em Todos os Medos



Medo de quê? De mim mesmo. Do que me transformo, e de repente, me transformo de novo. Do que sinto e de repente, o medo de não sentir mais. Não nos outros, nem dos cenários que perdem a cor para ganhar outras e das quais tenho que me acostumar. Medo das construções, das desconstruções, da reconstrução, eu tenho medo. Existe uma alma desesperada que ganha ritmo de fera quando me apavoro e que reconheço quando olho no espelho, e que eu tenho medo.



Tenho medo de ficar de pé, pois daqui vejo séculos inteiros de céu e de mar, e destes, mesmo que desconhecidos, não tenho medo.



Cecília me dizia ao pé do ouvido:





Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.






Eu: 6,0 (Coração apertado e alma imensa: dolorosa desproporção)

Mundo: 8,0 ( Guardado nele mesmo, sem pistas de como abri-lo)

Wednesday, January 24, 2007

Das Coisas Boas Desse Mundo

As coisas boas deste mundo têm cheiro?
Eu digo que sim. elas cheiram a saudade, descobrí a pouco, mas também cheiram a felicidade. O amor tem cheiro e descansa em minhas narinas.
Têm cheiro o colo, o vento e o pôr-do-sol.
Têm cheiro o abraço - todos os que foram já dados e os que ainda estão por vir.
Têm cheiro os sorrisos, os amigos, e aquela tarde que nunca se esquece, por mais que o tempo passe.
Descobrí que todas as coisas boas de minha vida tem cheiro, e as ruins - bem essas daí tem gosto - mas nem lembro mais qual é.
Também não lembro do cheiro de todas as coisas boas desse mundo e das quais eu experimentei sem compromisso. Mas todo dia descubro um novo cheiro bom que tinha esquecido.
Por isso eu mesmo canto o cheiro das coisas boas que encontrei - todas em um único lugar:

As Coisas Boas Deste Mundo

No cheiro que repousa em teu corpo
E que reconheço
Reside as coisas boas da vida
Como se tivessemelas, cheiro

-Desde Minha infância
Que os guardo em segredo:

São dos campos em flor,
Dos fins de tarde
E dos riso sem preço.

São o cheiro dos ventos que inundam
O Pôr-do-sol,
Que um dia desbravei sem medo.

São de colo, de filhotes,
Do balançar da rede,
E claro,
Do primeiro beijo.

São das coisas boas da vida,
que esquecidos em meu coração
reconheço em teus ombros -
E depois nunca mais esqueço.

Saulo Matias


Eu: 9,0 (Descobrindo as melhores coisas do mundo em um único aroma).

Mundo 9,0 (De flor, de saudade e amor - todos os cheiros)


Sunday, January 21, 2007

No Doce e no Incerto

Rio das incertezas, elas me intimidam o tanto que me divertem. Esperar é tão bom agora quanto estar, pois as duas coisas estão magicamente mescladas, ora nas minhas palavras, oras nos meus braços. Vou indo assim, de leve: continuo rindo das incertezas, e elas ocultas nos mais amplos aspectos do meu dia-a-dia, também riem de mim, como crianças travessas brincando de esconde-esconde. Das certezas? Em vez de rir, eu as beijo.

Mário Quintana cantou pra eu pensar e também pra eu dormir:


Fere de leve a frase... E esquece...
Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Mario Quintana


Eu: 9,0 (Incansável ao repetir coisas cem mil vezes ditas)
Mundo: 9,0 (Mundo Novo: Me sinto como Colombo – Nau pronta e cheio de desejos)

Thursday, January 18, 2007

Da Fome e da Vontade de Comer

Espero com fome e do outro lado, também tem vontade. Esperar é que são elas, e se espera dos dois lados, quem estende a mão, com palavras, beijos e pão?
Ah, se eu soubesse, e pudesse deixar uma e receber outra,

Palavra Acesa.

Se o que nos consome fosse apenas fome
Cantaria o pão
Como o que sugere a fome
Para quem come
Como o que sugere a fala
Para quem cala
Como que sugere a tinta
Para quem pinta
Como que sugere a cama
Para quem ama
Palavra quando acesa
Não queima em vão
Deixa uma beleza posta em seu carvão
E se não lhe atinge como uma espada
Peço não me condene oh minha amada
Pois as palavras foram pra ti amada
Pra ti amada
Oh! Pra ti amada

(José Chagas e Fernando Filizola)


Eu: 7,5 (Com preguiça, com sono e com medo: Deveria ter levantado da cama hoje?)
Mundo: 8,0 (Adoro este cheiro de Coisa Boa que o Mundo tem)

Monday, January 15, 2007

Sobre o Breve e o Eterno



Um beijo dura eternamente, depois se vai. Vai na frente das pernas, limpando a poeira morta sobre os desejos descoloridos, mas que são imortais. Faz tocar música e eu penso de onde vem, se nem o barulho das buzinas nervosas ao meu redor, ouço com clareza. Talvez venha do aveludado sentido de ser redescoberto por mim mesmo e saber que a vida segue, mansa mas implacável com novas repetições. São de água morna meus pensamentos, e das lembranças dos dias mornos, da rotina boa e dos ventos novos que sopram à minha frente. Talvez seja de Mário Quintana a música que tocam e ouço deliciosamente me sentindo ora de alguém, ora unicamente de mim?

I
Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana - A Rua dos Cataventos

Eu: 9,0 (Devagar e sempre, seja pra onde for).
Mundo: 9,0 ( Imenso, relutante e delicioso).

Mais do que nunca, enquanto isso, eu penso...

Thursday, January 11, 2007

Never Stop! (Segundo do Dia)

Não quero que pare, nem mesmo quando me parece errado. Mas nunca é. Nunca é errado tornar o dia mais leve, quando a gente traz nas costas o peso de um mundo cheio de questões a serem resolvidas. Não quero que pare, não mesmo. Mesmo em poucas linhas, e nos olhares absortos para uma fenda que não se revela nem luz nem falta dela, não quero que pare. Penso que não sei mas viver sem isso, mesmo sabendo que tudo tem fim e que se aprende indubitavelmente a viver sem: cresci dizendo a mim mesmo
“um dia tudo pára, inclusive eu vou parar”. Mas certamente não quero que pare. Se for parar, pare devagarinho, para que me acostume a ser sozinho nestas oito horas, como sempre fui. Para suavemente, como um texto de reticências, um poema em eterna revisão. Pare deliciosamente como quem vai em pedaços, se deixando experimentar pela última vez e aos poucos. De tiver de parar, pare agora ou amanhã ou depois, mas me permita um adeus de vários séculos. Contudo, e apesar de tudo - não pare nunca.

Indigo Girls complementa (eu amo essas mulheres!):

Never Stop

You say shes a very good friend
Circumstances I should understand
But like recurring tide she comes on to you
And looks as though shes looking for a man
Honey dont make yourself so available
My prides in my pocket but I can be reasonable
Still all in all I forsee my own fall
But Ive climbed too far to drop
So stop

I know its your ego keeps the smile on your face
Because you know you got your options open
Shes a beguiling snake and shell keep what she takes
But when she leaves you Ill be the one coping
Honey dont make yourself so available
My prides in my pocket but I can be reasonable
Still through and through I can see clean through you
I know you like to be the one on top
But stop

You will miss my conversation
When youre talking to yourself
Youll be thumbing for advice
Through the pages of the novels on your shelf
Honey dont you see our love togethers the very best bet
Put your focus on me and Ill forgive and forget
Throw away your hidden ace you clever man
And take my hand

You needn’t play the part of your image
This is not a one act play were living
And as long as Im here the situation is clear
It'll be 50/50 take and giving
Honey dont you see a lifetimes not much to ask
Take off your costume and remove your mask
If yes is what you will say were gonna start from today
Were gonna take it to the very top
And never stop

Eu: 9,0 (Never Stop!)
Mundo: 10 (Se parar, tudo bem...)

Do Silêncio, e da Vontade de Dizer


Se eu disser e se a idéia fugir, terei o carrasco do silêncio frustrado no meu calço. Prefiro não usar as palavras – elas se atropelam, trêmulas e febris, e se perdem no sentido antes de chegar ao seu destino. Prefiro não dizer. O silêncio é elegante, mas mata alma de fome. E fome e silêncio fazem a rotina de quem prefere esperar o que poderá um dia não vir - mesmo que pareça chegar todos os dias...
Por outro lado, canta Marly de Oliveira:

PRESSÁGIO


Sei que virás esta noite
nas palmas breves do vento.
Tão certa tua presença,
que adivinho teu perfil
crivado no firmamento.

Sei que virás, que um rumor
escuto de asas chegadas,
(Mas não sei se por ventura
ou desventura, só tenho
para teu rosto calado
uma profunda ternura).

E enquanto crispa o silêncio
seus longos dedos agudos
na noite de águas-marinhas,
teço meu sonho e desenho
abstratas, tênues figuras
com formas tuas e minhas.



Eu: 9,0 (No meio do caminho tinha uma calça que não dava mais pra mim, e inexplicavelmente, hoje deu ^^!).
Mundo: 8,0 (Pergunta: pra onde olha o mundo, enquanto eu olho pra ele?).

Monday, January 08, 2007

Da Inquietação do Outro e de Si Mesmo

Somos todos inquietos. Não nos contentamos com a espera solitária, inquietamos o outro. Tortura necessária essa inquietação, avidez por mudanças, tanto em nós quanto no mundo. Vibramos, inquietos.
Na hora de dormir e na hora de acordar, estou inquieto.
Naquela janela, contemplando outro pôr-do-sol e curtindo a indocilidade de outros ventos – estes novos e perfumados – me vem Vladimir Maiakovski, cantando um futuro incerto e inquietante:

FRAGMENTOS

1
Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tiro a sorte

enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas.
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs
e que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a imprudente idade

do bom senso.

Eu: 8,0 (Inquieto, mas inteiro)
Mundo: 7,5 (Um dia sim e outro dia não – Pendulum Swinger)

Sunday, January 07, 2007

Quase Um Ano Depois... O Mundo Mudou e Eu Continuo Morando no 246.

Estou voltando pra dizer que 2006 passou inteiro, coisas aconteceram, algumas dignas de serem postadas, outras não... Mas agora é 2007, e hoje tá tudo bacana. Não vou dizer que foi bom, mas também foi tão ruim. Saudades de lado, tem sempre uma janela aberta pra onde olho, e algumas com umas coisas distantes, mas que toco todos os dias. Assim caminha a humanidade, sempre com a cenoura amarrada na vara de pescar.

Lista de Desejos:

1. Chuva nos dias de folga e uma cama preguiçosa pra acompanhar
2. Risos o ano inteiro na companhia dos melhores: meus amigos
3. Muita coragem
4. Bons livros (inclusive um que me veio como um sonho)
5. Beijos bem justificados
6. Poesia em tudo
7. Cabeça nas nuvens, os dois pés no chão
8. Sempre um bom motivo pra dizer sim
9. RPGs e uns quilos a menos
10. Um sonho novo que cheira tão bem que eu queria pra mim.

Carlos Drummond de Andrade passou um dia desses e disse:


O Chão é Cama

O chão é cama para o amor urgente,
Amor que não espera ir para a cama.

Sobre o tapete ou duro piso, a gente
Compõe de corpo e corpo a úmida trama.

E para repousar do amor, vamos à cama.

Eu: 9,0 (Estou bem e pronto, sem maiores considerações)
Mundo: 8,0 (Perigoso e cheio de mistérios, mas não me importo)