Sunday, February 04, 2007

Falta? Não Falta?

O que sinto falta morre há tempos - morre de bom senso, de maturidade e na discórdia entre o querer e o poder. O que sinto falta resiste moribundo de vergonha - não se encaixa nesse mundo desde que nasceu e morre de infinitas constatações.
Ausência de mim mesmo - é de mim que sinto falta: tento não saber que não volto mais.

Drummond caminha comigo pela Ausência:


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência,
Essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade

Eu: 8,0 (Ausente - é só deixar recado)

Mundo: 8,0 (Translação e Rotação, é a gente ficando mais velho e mais ausente...)

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