Thursday, February 22, 2007

Já Passou?

Onde que nem vi? Por onde escorreram estas horas, que ainda sinto coloridos mãos e dedos e com cheiro de ontem, ainda estão eles? E se já passou, pra onde foi? Não sinto telegrama, nem fumaça, nem aviso de partida, nem que por um presságio: Sou cético com essas horas perdidas. Juntas, elas formam dias que viram meses, e depois traiçoeiros anos perdidos. Já se foram? Choro agora essas horas que passei com sal no vento e na pele, com o sol sempre me abraçando e me perguntando: pra onde vão todas essas horas? Deve ser um lugar muito grande, pois agora nem mesmo cabem em mim.

Esse Tempo tão caprichoso, como cantava Adélia Prado:

Tempo


A mim que desde a infância venho vindo
Como se o meu destinoFosse o exato destino de uma estrela
Apelam incríveis coisas:
Pintar as unhas, descobrir a nuca,
Piscar os olhos, beber.
Tomo o nome de Deus num vão.
Descobri que a seu tempoVão me chorar e esquecer.
Vinte anos mais vinte é o que tenho,
Mulher ocidental que se fosse homem
Amaria chamar-se Eliud Jonathan.
Neste exato momento do dia vinte de julho
De mil novecentos e setenta e seis,
O céu é bruma, está frio, estou feia,
Acabo de receber um beijo pelo correio.
Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome.


Eu: 9,0 (Feriado acabou - desoriento-me cheio de propósito, depois tudo no lugar de sempre)
Mundo: 10,0 (Tá frio hoje, como se chovesse dentro e fora: bom pra dormir centenas de anos)

No comments: