Obra da maturidade.
Deixei de sentir falta de coisas que se foram,
Deixei-as ir para o meu bem -
Agora só saudade.
Tudo isso entre onze horas e meia noite,
Sentado ao lado do que chamo de amor.
Começo o ano me sentindo só,
Sem culpar a ninguém por isso –
Até por que ninguém pode me ver realmente
Do jeito irremediável e tolo que sou.
Constatação, como disse Drummond quando escreveu:
A Carta
Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
São golpes, são espinhos, são lembranças
Da vida a teu menino, que ao sol-posto
Perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
À hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
A noite acumulada de meus dias,
E sinto que estou vivo, e que não sonho.

Eu: 7,5 (cheio de pausas)
Mundo: 7,5 (instável e obscuro...)
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